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Entra e Senta

Entra e Senta

Seg | 31.05.21

É possível estudar sem papel?

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Sim, eu sei que parece um pouco louco, talvez até impensável! Mas a verdade é que é possível, e tem diversas vantagens (ou, pelo menos, teve para mim!).

Sempre escutamos que a melhor forma de memorizar é escrever. Escrever à mão. Ler a matéria, fazer resumos e ler os resumos múltiplas vezes, talvez até em voz alta. Depois de passar tecnicamente todos os anos do meu ensino básico a repetir esse método, apercebi-me que o que me ajudava a interiorizar o conteúdo era recitá-lo em voz alta e não o escrever, porque muitas vezes apanhava-me a copiar o texto escrito no livro sem sequer pensar sobre este. Foi quando entrei na faculdade que me apercebi que continuar este ciclo não seria possível, devido, por um lado, à quantidade brutal de matéria, e por outro, às imagens e desenhos que são necessários para compreender os conceitos. Devo dizer que o primeiro ano não foi fácil!

Foi aí que comecei a observar a forma como os meus colegas estudavam, tiravam notas! E a maioria destes já não usava cadernos, ou pelo menos não os usava na maioria do tempo. Também se instalou a pandemia, e o ensino online obrigou-me a mudar os meus velhos hábitos.

Porque estudar sem papel?

Em primeiro lugar, é um favor que fazem ao nosso planeta. Gastamos bastante papel sem nos apercebermos, papel este que perde a utilidade assim que terminamos os estudos. Só para o meu exame de Matemática A gastei praticamente uma resma! E não há necessidade de imprimir dezenas de powerpoints com centenas de slides apenas para anotar nos cantos da folha!

Em segundo lugar, tudo fica muito mais organizado. Não temos papéis espalhados pela secretária, post its perdidos! Os nossos ficheiros estão todos no mesmo local, sempre acessíveis a partir de qualquer dispositivo (se armazenados numa drive). 

Por último, não correm o risco de perder os vossos trabalhos/resumos/notas pois podem fazer várias cópias que não são destrutíveis como o papel.

Como estudar sem papel?

Bom, precisam de um dispositivo eletrónico, seja este um computador portátil ou um tablet. Não necessita ser nada muito caro (não, não é obrigatório terem produtos da Apple!), apenas algo que seja fácil de transportar com vocês. No meu caso, escolhi comprar um tablet, não só por ser leve e caber em qualquer carteira, mas também por não necessitar de prescindir tirar apontamentos à mão: o tablet que comprei, Samsung Tab S6, vem acompanhado de uma caneta para podermos anotar em pdfs, fazer resumos, ou até desenhar.

Quando o comprei, não havia muitas opções de apps para Android, pelo menos gratuitas. Acabei por comprar uma chamada Noteshelf, onde é possível anotar em pdf, criar cadernos, e fazer apontamentos muito bonitos (tal como os fariam em papel). Hoje em dia, a própria app Samsung Notes, gratuita em qualquer aparelho da Samsung, tem uma interface apropriada, logo não terão de gastar dinheiro com isto!

Existem outras aplicações que considero úteis: Anki (permite-vos criar flashcards); Google Drive ou qualquer outra aplicação de cloud; um calendário para anotarem as datas de exames e de entregas de trabalhos (eu uso o calendário do Google, mas não prescindi de uma agenda em papel); Duolingo, para passarem o tempo e aprenderem algo de novo. Além disso, dependendo do que estudam e do curso que frequentam, poderão instalar outro género de apps: no meu caso, testei várias com modelos de anatomia em 3d.

E se só tiverem um computador?

Não necessitam comprar um tablet para atingirem os mesmos objetivos. Aliás, tirar notas num computador é bem mais fácil durante a aula pela rapidez com que podem escrever. Tudo o que encontram para o tablet têm para PC!

Há vários programas que poderão ter acesso gratuito por serem estudantes, como o Office, EndNote (muito útil para criar citações), Notion, e vários outros, dependendo de onde e do que estudam.

Recomendo o uso da app Notion! Nesta poderão tirar notas durante as aulas, organizar o vosso horário, criar listas de tarefas e muito mais! Existem diversos vídeos sobre a mesma no Youtube, visto que a interface pode ser um pouco confusa no começo.

Algumas notas importantes

É importante ter em conta que nem todos os professores vão gostar ou aprovar o vosso uso de eletrónicos durante as aulas, por isso tenham sempre com vocês um caderno e algumas canetas para essa eventualidade. Além disso, nem sempre é possível o seu uso por questões de segurança, como em laboratórios!

Não sintam que têm a necessidade de largar por completo o papel se não se sentirem confortáveis a fazê-lo. Por exemplo, eu ainda uso um bullet journal! Têm de adaptar o método às vossas necessidades!

Sex | 28.05.21

"The Midnight Library" - quantas vidas poderíamos ter vivido?

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Se vos fosse dada a possibildade de viver uma vida diferente, aceitariam? 

É neste dilema que se encontra Nora Seed, no romance escrito por Matt Haig. Nora encontra uma biblioteca entre a vida e a morte, uma biblioteca cheia de livros que contam as histórias das vidas que poderia ter vivido caso tomasse decisões diferentes. A nossa personagem tem uma segunda chance para viver, e numa vida que considera perfeita. De campeã olímpica a glaciologista, qual será a sua escolha?

Na minha opinião, é um livro obrigatório. O conceito é genial, e a mensagem fundamental para todos nós. Todos somos uma Nora Seed eventualmente, todos nós encaramos o futuro com incerteza ou duvidamos o valor da nossa vida. É inevitável, em momentos como esses, questionar como seria tudo tão diferente se tivéssemos envergado por um caminho diferente no passado. No caso de Nora, esta arrependia-se de não ter prosseguido com os seus treinos de natação, ou até de ter deixado o seu namorado Dan, pois considerava que estes caminhos concederiam algum sentido ou importância à sua existência. É através da biblioteca que esta percebe que, em todas as suas vidas, existem problemas, e que nunca nada será perfeito. Mesmo pequenas escolhas, como tomar um café com o vizinho, mudaram drasticamente não só o rumo da sua vida como também daqueles que a rodeiam.

Então o que se retira deste livro?

  1. Quando estamos em baixo, temos a tendência de encarar a nossa situação de uma forma mais pessimista. Por vezes nem tudo é tão mau como julgamos, e só nos apercebemos do que temos quando o perdemos. 
  2. Viver com arrependimento não nos faz bem, e é um peso do qual nos devemos ver livres. Muitas vezes os nossos arrependimentos são infundados e fruto das nossas inseguranças. A vida que poderíamos ter vivido não existe; temos apenas o presente, que é o resultado direto daquilo que (não) fizemos, e devemos aceitá-lo e apreciar as pequenas coisas do nosso dia-a-dia. Podemos não ser uma estrela rock, mas estamos rodeados por pessoas que nos amam.
  3. Tudo o que fazemos tem repercussões. As escolhas que fazemos ao longo da nossa vida são muitas vezes definidoras do nosso futuro. Já pensaram quantas vezes evitaram um acidente ao saírem 5 minutos mais cedo de casa? Ou quantas pessoas vocês já influenciaram com um ato de generosidade?
  4. A inércia não nos leva a lado nenhum. Se estamos descontentes com algo, a conformação não é a forma de resolver o nosso problema, mas sim a ação. O mundo está cheio de possibilidades e aventuras, basta que estejamos dispostos a vivê-las.

Concluindo, é um Romance muito especial, que me surpreendeu pela positiva e que recomendo a todos que necessitem de uma inspiração para viver.

Nota: 5/5

Dom | 23.05.21

Eurovisão 2021

Fonte: RTP (https://media.rtp.pt/festivaldacancao/artigos/the-black-mamba-passam-final-do-eurovision-song-contest/)

E mais uma vez o nosso talento é injustiçado!

Sinto que este ano poucas eram as músicas que se destacavam pela sua originalidade, diferença e sentimento. E talvez seja apenas o meu cansaço, mas o pop genérico torna tudo tão semelhante que sou incapaz de fixar mais de metade das canções que por aquele palco passaram.

Os The Black Mamba trouxeram um tema que me cativou desde o começo. A atuação foi mágica! A música tem significado, a voz é indiscutivelmente única, e até o filtro e o ecrã 4:3 nos remeteu para décadas passadas. Escutá-la entre tantas outras músicas barulhentas foi uma lufada de ar fresco! Já para não mencionar a personalidade e bom humor da nossa banda! A verdade é que o voto dos júris nos levou até ao top 10, mas rapidamente descemos no pódio com as votações do público, ficando assim em 12º lugar. Se ficamos mal colocados? Não! Se merecíamos melhor? Com certeza. Tínhamos o talento, faltou-nos a popularidade nas redes sociais. Portugal é sempre um país esquecido! 

Apesar de gostar do tema da Itália, creio que a França seria o justo vencedor. Ou a Islândia, com o seu tema retro que tanto me divertiu e que está ainda a entoar na minha mente: conseguiram um 4º lugar sem sequer estarem presentes!

Temos também o outro lado da moeda: o Reino Unido, um dos Big Five, a ter 0 pontos! 

De qualquer das formas, os The Black Mamba estão de parabéns, e sinto que fomos muito bem representados!

Sex | 21.05.21

Os Clássicos | O Monte dos Vendavais

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É um dos clássicos da literatura mais conhecidos, escrito por Emily Bronte sob o pseudónimo de Ellis Bell. Conta a história de amor de Catherine Earnshaw e Heathcliff, irmãos adotivos que viram a sociedade e o mundo contra os seus sentimentos, causando anos de tortura, vinganças e dor. É um romance doloroso, com algumas gargalhadas, mas muita angústia.

Em primeiro lugar, adorei a escrita de Emily Bronte, pois apesar de ser simples e de fácil compreensão, era inerentemente bela, com descrições capazes de nos transportar para o Monte dos Vendavais ou a Granja dos Tordos. Os capítulos eram, na sua grande maioria, curtos e pouco cansativos. Não obstante, tive de me forçar a ler em alguns dias, por sentir que havia pouco desenvolvimento na história.

Em segundo lugar, apaixonei-me por certas personalidades que tornaram o enredo mais rico e interessante, como Joseph e a sua rudez cómica, Catherine Earnshaw e as suas manias e insultos, e Harenton, com o seu coração tão bondoso apesar de pouco trabalhado. Conhecer a história destas personagens, e das suas famílias, foi cativante, e manteve-me agarrada ao livro durante horas. Todavia, creio que muitas vezes tinham atitudes muito excessivas: o próprio amor de Heathcliff e Catherine é excessivo, dramático, e tem repercussões algo desnecessárias, talvez devido às personalidades tão intensas dos dois.

Por fim, senti que o final do livro foi justo, e terminei-o como se encontrasse finalmente paz. Depois de 400 páginas envolvida em tanto conflito, encontrar justiça, amor e calma no último capítulo deixou-me com um sorriso no rosto.

Contudo, tenho de confessar que a forma como a história nos foi narrada não foi a melhor para mim. Conhecer uma história de amor através da perspetiva de um terceiro, neste caso Nelly, fez com que eu tivesse algumas dificuldades em me identificar, em sentir as dores e as amarguras das personagens. Não conhecia o seu mundo interior, os seus pensamentos e sentimentos mais íntimos, o que me aborreceu. Além disso, gostaria tanto de ver algum desenvolvimento positivo em algumas personagens! Gostaria que Heathcliff esquecesse a sua vingança, mudasse a sua mentalidade! Gostaria que Linton deixasse de ser um egoísta e apoiasse Catherine! Não obstante, estes comportamentos, esta falta de evolução, representam a vida real, onde as pessoas raramente mudam, logo o romance apenas permaneceu fiel à nossa sociedade.

Concluindo, “O Monte dos Vendavais” é um livro bastante interessante, que nos faz refletir sobre o amor desmedido, a natureza humana e o impacto da sociedade na nossa vida. Para quem gosta de Romances e livros sobre séculos passados, é uma leitura obrigatória.

Muito brevemente publicarei uma resenha mais detalhada, onde me foco nas personagens e na história, logo terá spoilers. Assim, fiquem atentos se tiverem interessados! 😊

 

Seg | 17.05.21

A mulher à janela

Alguma vez ouviram falar de agorafobia?

Anna Fox sofre desta condição, e por isso é uma reclusa na sua própria residência. A sua única forma de contactar com o exterior é através da sua janela, e é assim que deteta a chegada de uma nova família, os Russel. Tudo muda quando vê um crime ser cometido pela sua câmara fotográfica, e ao tentar ajudar apenas se vê presa numa onda de acusações e dúvidas que a levam a duvidar de si mesma.

Este filme foi cativante do começo ao fim, e na minha opinião não teve nenhum momento parado ou aborrecido. O final, como em quase todos os filmes do género, surpreendeu-me bastante e fez-me perceber a minha própria ingenuidade.

Anna é uma narradora pouco confiável, logo vi-me duvidar de praticamente todas as cenas: esta parecia presa numa ilusão relativamente ao seu passado, encontrava problemas no seu terapeuta, e tinha o hábito de tomar a sua medicação com álcool. Não obstante, não deixei de me indignar ao ver a forma como o seu vizinho e a polícia a trataram simplesmente por ter uma doença mental. Algo que adorei nesta personagem foi a sua perseverança e súbita vontade de viver para fazer justiça e revelar a verdade: superou até o seu maior medo!

Não só era Anna pouco confiável como também os restantes personagens, que agiam de uma forma tão pouco natural e suspeita que os tornava a todos possíveis criminosos.

Concluindo, “A mulher à janela” é um excelente filme para quem gosta de suspense, visto que traz várias surpresas e nos prende do começo ao fim.

Nota: 4,5/5

Sex | 14.05.21

"Os livros que devoraram o meu pai"

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"Os livros que devoraram o meu pai" é um livro juvenil escrito por Afonso Cruz. Conta a história de Elias Bonfim, que procura pelo pai nos diversos clássicos da literatura após este se perder na leitura.

Penso que é uma história interessante, capaz de despertar o interesse dos jovens pela leitura dos clássicos, tantas vezes encarados como aborrecidos. São mencionados livros como “A Ilha do Dr. Moreau”, “Crime e Castigo” e até “Fahrenheit 451”. As personagens ganham vida, interagem com o herói e auxiliam-no na busca pelo seu pai. Além disto, e tendo em conta que é um livro escrito para um público mais jovem, encontramos uma escrita mais simples, com frases mais curtas e mais fáceis de ler. Não obstante, também considero que não é de fácil interpretação para a faixa etária pensada.

Todavia, não posso afirmar que o final do livro me agradou: foi abrupto, como se cortasse com uma faca o desenvolvimento tão melodioso da história.

Concluindo, “Os livros que devoraram o meu pai” é um livro com uma história bastante diferente, original, que reflete de forma positiva sobre a leitura, mas que talvez não seja o melhor do autor.  

Dom | 09.05.21

Redes (anti)-sociais

O mundo onde vivemos não é instagramável. Não sem modificações e umas dúzias de filtros. As ruas não são suficientemente limpas, nem as cores das paredes berrantes para chamar à atenção entre milhões de fotos semelhantes. Falsificam-se sorrisos, silhuetas e amizades para um bom post.

Aí está a grande ilusão do nosso século. As redes sociais já não servem para partilhar os nossos bons momentos com os amigos e família; são um palco, onde nós, os atores, fingimos ser perfeitos. Vemos peles perfeitas, rostos esculpidos, corpos quase desenhados! E quando somos inundados a toda a hora com este tipo de conteúdo, é inevitável não fazer comparações, não questionar: porque é que eu não sou assim também?

E é desta forma que se cria uma geração insegura, que não tem amor próprio, saúde mental, e que recorre a cirurgiões para reparar os detalhes em si que nunca foram um erro ou um defeito. É interessante como um local de partilha, onde se poderia celebrar a diversidade e a diferença entre as pessoas, nos está a tornar tão homogéneos, tão iguais.

Além disto, as redes sociais foram criadas para serem viciantes, com feeds infinitos que nos mostram mais e mais a cada scroll. Com tantas horas de ecrã e tão pouco tempo para encarar a vida de frente, o que perdemos? 

Ter | 04.05.21

E a queima das fitas?

Nunca fui praxada. Passei o meu ano de caloira (ou os poucos meses que deste tive) a fugir a todas essas tradições, não só por sentir não ter estrutura física e mental para as mesmas, como também por considerar certos comportamentos algo inaceitáveis. Apesar disto, tenho de admitir que a minha faculdade não é das que leva a praxe a sério, logo questiono-me se foi a decisão correta deixar o medo escolher por mim.

Ainda assim, a falta da semana académica afetou-me, principalmente o ano passado, quando ainda encarávamos a pandemia como algo sem fim à vista. Mas não se enganem, não foi pelas festas perdidas, apesar de estar já a contar ver o Quim Barreiros! Queria tanto chegar a maio e ser recebida por uma serenata. Queria chorar (sempre em silêncio!) agarrada aos meus amigos, e pensar que todo o esforço valia a pena porque estávamos todos no mesmo barco. Queria passear pelas ruas do Porto, a berrar as músicas que tanto me custaram a aprender, e ser mais um dos rostos felizes no cortejo. Queria sorrir perante a alegria da minha mãe e dos meus avós quando me vissem trajada!

Mas a pandemia roubou-nos de tudo isto. Roubou-nos da nossa normalidade, de momentos que poderíamos ter vivido, forçando-nos a assistir e ver o mundo através de ecrãs, a ter aulas por videochamada, a respirar por uma máscara. Caramba, até pessoas queridas nos roubou!

Nesta semana, o dia do cortejo é um dia como qualquer outro. Talvez num universo alternativo, onde todos cooperam para o controle deste vírus, eu esteja feliz, a caminho da tribuna, com uma máscara preta a combinar.

Seg | 03.05.21

Sussurros das Trevas

E quando o verdadeiro vilão não é o fantasma que nos assombra a casa, mas sim o homem em quem confiamos? É neste dilema que se encontra Catherine, que se muda para Hudson Valley assim que George, o seu marido, aceita ser professor de história de arte numa universidade privada. Com tempo livre e após algumas conversas, rapidamente se apercebeu que não conhecia o homem com quem tinha casado.

Em primeiro lugar, adorei a forma como a história se desenvolveu. Senti-me como Catherine, que dia após dia perdia o amor e a confiança em George. Qualquer outra mulher, como Willis e Justine, foram capazes de ver a sua personalidade manipuladora e desvendar as suas mentiras assim que o encontraram, mas Cath levou algum tempo para desconstruir a imagem que tinha do marido e aceitar a verdade.

Em segundo lugar, o uso dos “fantasmas” e “assombrações” como algo positivo que ajuda a personagem principal foi um twist do qual não estava à espera. No começo da história, pensei que o vilão seria a mulher que assombrava as noites de Cath e da sua filha, mas na verdade esta pretendia avisá-la do perigo que corria e fazer justiça para evitar que esta tivesse o mesmo fim que ela. No fundo, encontramos aqui uma união para quebrar o ciclo que realmente assombrava aquela casa há gerações: o ciclo da violência contra a mulher.

Por fim, não posso deixar de confessar que o final me dececionou, não por não corresponder às expectativas, mas sim por esperar algo diferente. Isto talvez reflita a minha indignação como mulher relativamente à normalização da violência, principalmente na década em que a história é desenvolvida (1980).

Concluindo, Sussurros das Trevas é um filme de terror que talvez não agrade a todos, mas que é sem dúvida um filme com conteúdo e que nos surpreende até ao fim. Está disponível desde dia 30 de abril na Netflix, para quem o quiser assistir!

Nota: 4/5

Sab | 01.05.21

Os Clássicos - Emily Bronte

Emily Bronte nasceu a 30 de julho de 1818, em Thornton, Yorkshire (Inglaterra). Era filha de Patrick Bronte, um padre anglicano vitalício, e Maria Branwell, que morreu quando esta tinha apenas três anos de idade. Era irmã de Charlotte e Anne Bronte, também escritoras, e de Maria, Elizabeth e Patrick. Emily chegou a estudar num colégio interno juntamente com três das suas irmãs, sendo que voltaram para casa devido a um surto de febre tifóide que terminou com a vida de Maria e Elizabeth.

Aos 20 anos de idade era já professora na Law Hill School, mas o stress e excesso de trabalho deixaram-na doente, forçando-a a regressar a casa. Emily isolava-se muito, passava os dias sozinha, dedicando-se às tarefas domésticas e à catequese. Era uma autodidata, e aprendeu sozinha alemão e a tocar piano.

Viveu durante uns tempos na Bélgica, com a sua irmã Charlotte, mas ambas regressaram a casa aquando da morte de sua tia.

Morreu a 19 de dezembro de 1848, em Haworth, um ano após a publicação da sua única obra “O monte dos Vendavais”, devido à tuberculose. Recusava-se a tomar a medicação e a ser consultada pelos médicos, mas as suas últimas palavras foram “Podem chamar um médico? Queria que um me visse.”.

Emily era muitas vestes descrita como uma mulher racional, lógica, com grande teimosia e capacidade argumentativa. Muitos diziam até que “Devia ter sido um homem.”. Das três irmãs, a sua poesia é ainda hoje a mais apreciada.

Haworth, a vila onde escreveu “O monte dos Vendavais”, era uma zona já muito industrializada, logo a inspiração para o retrato do monte veio da charneca superior a que estava habituada a frequentar.