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Entra e Senta

Entra e Senta

Sab | 26.06.21

A beleza dos livros usados

Fonte: tumblr

Foi com 16 anos que descobri o meu amor pela poesia. Sobre um banco de jardim, esquecidos ou até abandonados, aguardavam por umas mãos curiosas os sonetos de Florbela Espanca. Fiz daquelas páginas minhas, apesar de já tão manchadas pelo tempo, pois a idade traz sapiência e eu necessitava desta acima de tudo. Acredito plenamente que o que nos está destinado nos encontra, e aqueles versos chamavam por mim por trazerem a mensagem que tão desesperadamente necessitava ouvir. 

E se só de livros novos se fizessem as estantes não encontraríamos tantas surpresas! Conhecendo já o meu gosto pela leitura, são muitas as pessoas que me oferecem livros que já não querem, livros estes que contemplo por alguns minutos antes de os guardar e destes me esquecer. Não é que ainda esta semana encontrei na minha estante um título que estava na minha lista de desejos?

Há também uma certa beleza em ler os apontamentos deixados nas páginas, por vezes até acompanhados por post-its coloridos e faturas de cafés que marcam o progresso da leitura. E o aroma? Não há nova edição que consiga replicar o perfume de um livro que perdeu a cor mas não a essência. É um cheiro que hipnotiza, que torna um simples quarto com livros numa biblioteca.

Saibam ainda que as árvores por abater irão apreciar o vosso ato.

Qua | 23.06.21

"Antes que o café arrefeça" de Toshikazu Kawaguchi

antes que o cafe arrefeça.jpg

Não sou muito exigente com livros. São muitas as histórias que me agradaram, e poucas aquelas que me aborrecem ao ponto de me fazerem desistir da leitura. Apesar de ter terminado “Antes que o café arrefeça”, foi preciso muito esforço e paciência!

Este livro conta a história de um café onde é possível viajar no tempo. Claro, parece muito tentador, mas existem diversas regras para que se execute essa viagem, nomeadamente a de voltar ao presente antes que o café servido arrefeça. Em cada capítulo encontramos um caso diferente, um motivo diferente para voltar atrás (ou andar para a frente!): temos um casal de namorados, casados, irmãos e mãe e filha.

Tenho de confessar que todo este conceito me agradou bastante. É uma ideia original, bem desenvolvida, e que me atraiu a comprar e ler o livro. Infelizmente, a forma como foi escrito fez-me desinteressar por completo pela história. É uma escrita breve, seca, com pouco sentimento ou lirismo. Por momentos senti que lia um artigo científico e não um romance! Não foi cativante, e não sei se é realmente o estilo do autor ou se simplesmente um problema com a tradução. Por outro lado, tive também alguma dificuldade em me familiarizar com os nomes das personagens.  

Apesar de tudo isto, senti-me presa na leitura em alguns momentos da narrativa, como na viagem de uma mulher que volta atrás no tempo para ler a carta escrita por seu marido com Alzheimer! Todos os livros têm aspetos positivos, e este não é exceção: o que realmente retirei desta história foi a importância do amor nas nossas vidas. Por vezes deixamos o nosso orgulho falar mais alto, e terminamos com arrependimentos. Não se esqueçam que na vida real não existem viagens no tempo, e que se não queremos viver a pensar naquilo que fizemos de errado (ou simplesmente não fizemos), devemos seguir o nosso coração.

Concluindo, “Antes que o café arrefeça” é um livro com uma boa história, mas que, para mim, foi pouco cativante.

Nota: 2/5

Dom | 20.06.21

Dia Mundial do Refugiado 2021

Fonte: UN News: Refugees and Migrants

É domingo.

Acordam quando os primeiros raios de sol entram pela janela, iluminando o vosso quarto outrora apagado pela noite. E logo se instala o receio. Há muito tempo que se adivinha um conflito. É constantemente abordado nas notícias, na internet, sempre que ligam a televisão, mas tentam ignorá-lo, pois não é fácil viver com medo. Este entranha-se nos vossos ossos, como uma chuva fria de janeiro que é apenas apagada de nosso corpo com um banho e chá quente. Todavia não é possível ignorar um inimigo que corre mais rápido que nós. E quando olham em volta, tudo que conhecem está destruído pelas bombas. Perderam entes queridos, a vossa casa, e a vida que tanto estimavam.

Então decidem partir. Se foram rápidos o suficiente, tiveram tempo para levar algumas coisas com vocês, senão carregarão apenas a ansiedade e a fé. Talvez a viagem seja perigosa, e talvez nunca cheguem ao destino final, mas fugir da morte certa é vossa prioridade. Claro, terminar num bote perdido no Mar Mediterrâneo pode ser assustador, porém a esperança de uma vida melhor impulsiona-vos para a frente. Chegar vivo é uma sorte. Ser aceite e integrado na sociedade é a lotaria. Haverá sempre o racismo, a xenofobia, a dificuldade de aprender uma nova linguagem e de lidar com uma nova cultura.

E saudades? Essas talvez sejam eternas.

Hoje é o Dia Mundial dos Refugiados, porém todos os dias somos relembrados desta triste realidade. Segundo a UNHCR, há 26 milhões de refugiados, e todos eles merecem proteção: seja segurança para não voltar ao local de perigo, acesso a asilo ou simplesmente medidas para garantir que são respeitados os seus direitos humanos. Com a pandemia, a segurança e a saúde destas pessoas está ainda mais comprometida, tendo em conta as condições em que vivem nos diversos campos de refugiados e à sua incapacidade de recorrer aos serviços de saúde.

É importante não esquecer que tratamos de pessoas que tinham carreiras, famílias, sonhos. Todos nós poderíamos estar nesta circunstância, e desejaríamos ser tratados com a maior humanidade e respeito possível. Por isso, o tema deste ano da UNHCR é “Together we heal, learn and shine” (juntos nós curamos, aprendemos e brilhamos). Esta campanha tem como propósito:

  1. Ajudar a assegurar o acesso a cuidados de saúde primários e secundários, saúde sexual e reprodutiva, nutrição e serviços de saúde mental
  2. Assegurar o acesso a educação de qualidade para que as crianças possam ter um futuro melhor
  3. Usar o desporto para criar um ambiente protetor onde todos possam descobrir o seu potencial

Aproveitem este dia para aprender um pouco mais sobre o tema, criar empatia e, acima de tudo, aceitar estas pessoas na vossa comunidade de braços abertos.

Hoje são eles, amanhã poderemos ser nós.

Seg | 07.06.21

Cartas para Julieta

Será que o amor verdadeiro tem prazo de validade?

Na cidade de Verona existe um muro onde os desiludidos com o amor deixam cartas para Julieta, a heroína do Romance “Romeo e Julieta”. Sophie, recém-chegada com o seu noivo, encontra esquecida entre as pedras do muro uma carta escrita há dezenas de anos por Claire, decidindo então responder-lhe. Assim começa uma maravilhosa aventura pela busca do amor e da felicidade.

A história de amor de Claire é comovente, e prova-nos que o amor não só não tem idade, como também não se perde com o passar dos anos. É fundamental manter por perto aqueles que amamos, e não deixar fugir quem nos faz feliz: temos uma vida toda para compensar os nossos erros, logo temos de arriscar! Já com Sophie aprendemos que devemos estar com alguém que nos valorize e nos ceda tempo e atenção. Esta preocupou-se tanto com a história de Claire que se esqueceu momentaneamente da própria felicidade que, curiosamente, esteve a seu lado durante toda a aventura.

“Cartas para Julieta” é uma comédia romântica emocionante que captou a minha atenção do início ao fim. Tem um enredo que, apesar de semelhante com diversos outros filmes, inova e nos traz várias surpresas. 

Nota: 5/5