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Sab | 17.07.21

É necessário falar das alterações climáticas

Fonte: BBC (https://www.bbc.com/news/world-europe-57858826)

As alterações climáticas serão uma das batalhas mais difíceis deste século, mas parecem passar despercebidas, como um inimigo que todos conhecemos, mas preferimos ignorar ou acreditar que não existe. Se pensam que será uma luta do futuro, enganem-se, pois já estão aqui, bem presentes. São as cheias na Alemanha e Bélgica, as ondas de calor no Canadá, os incêndios florestais que se tornam cada vez mais intensos! As calotas polares têm um arrefecimento cada vez mais acelerado, e o aumento do nível do mar pode afetar a vida nas regiões costeiras.

E é muito frustrante, porque o que vejo são medidas vazias que pouco ajudam. Há muitas promessas, muitos acordos, mas o tempo vai passando e tudo permanece igual. Claro, podemos adotar comportamentos mais ecológicos que, a longo prazo, terão os seus efeitos benéficos. Mas que poder temos nós para controlar a poluição causada pela indústria? O que podemos fazer relativamente à constante desflorestação? À poluição dos oceanos, aos microplásticos que até já ingerimos?

O relógio não para, e há muitos problemas para as poucas soluções que são apresentadas. Acredito que a luta pelo ambiente ficou de parte durante a pandemia, e receio pelo meu futuro. Receio pelo meu futuro e pelo futuro das próximas gerações, que herdam um planeta destruído, poluído pela nossa ganância e inércia.

Enquanto o crescimento, o dinheiro, e o poder forem a prioridade, continuaremos a respirar ar poluído, a destruir ecossistemas e a adoecer a nossa única casa.

Qui | 15.07.21

A vida é bela (1997)

Fonte: RTP (https://www.rtp.pt/programa/tv/p1307)

A Vida é Bela é um filme de 1997 que conta a história de Guido, um judeu que vive numa Itália fascista e eventualmente é levado para um campo de concentração com seu filho, Giosué. Esta longa-metragem venceu diversos prémios, nomeadamente o Grand Prix do Festival de Cannes, e não é muito difícil entender o porquê.

É impossível não nos apaixonarmos por Guido, que encara a vida com bom humor e alegria, e que demonstra ter um altruísmo sobre-humano. O filme vai-nos apresentando, desde o começo, pequenas pistas da realidade política, fáceis de perder pelas constantes brincadeiras e desvalorizações da personagem principal. O seu tio, Eliseo, várias vezes o avisava da gravidade da situação, e não tardou a que ambos, juntamente com Giosué, fossem capturados. Já no campo de concentração, Guido manteve a sua posição de forma a não assustar o seu filho, fazendo-o crer que tudo aquilo era um jogo que prepara para o seu aniversário. Guido foi capaz de manter essa mentira até a fim, e para mim foi um dos maiores atos de amor que vi num filme: fingir normalidade quando ele próprio estava destruído.

Considerei ainda muito interessante a inocência de Giosué. Rodeado por fome, destruição, morte, acreditou sempre nas palavras do seu pai, motivado pelo tanque que receberia se fosse o “vencedor”. Ele representa todas as crianças que foram levadas para estes campos de concentração, completamente alheias ao conflito.

O que me fez apaixonar por este filme foi, sem dúvida, as personagens. O uso da comédia tornou o filme mais leve, mas a história mais devastadora, pois foi usada para incitar em nós empatia. Tal como o Guido representa o bem, há outras personagens que fazem o oposto, como o médico nazi que se encontrava devastado por não conseguir resolver um quebra-cabeças, e que o procurou para o ajudar. Isto foi muito caracterizante, e revelou de uma forma crua a frivolidade e o egoísmo destas pessoas, tão alheias ao sofrimento que os rodeava: a esperança de Guido de escapar com Giosué era a ajuda do médico, e as suas expectativas foram destruídas (tal como as minhas) quando este apenas o procurou para uma futilidade.

Concluindo, A Vida é Bela fez-me rir, chorar, e, acima de tudo, fez-me torcer pela sobrevivência do amor. É importante não esquecer o passado, principalmente para não cometermos os mesmos erros no futuro. 

Qui | 08.07.21

"A Desumanização" de Valter Hugo Mãe

a desumanização.jpg

A desumanização é um romance escrito por Valter Hugo Mãe, passado nos fiordes islandeses. Este livro conta história de Halla, uma menina de 11 anos que teve de lidar muito cedo com a morte da sua irmã gémea, Sigridur. Ao longo da história, acompanhamos não só o seu processo de luto como também a evolução da sua perceção da morte.

A vida de Halla rapidamente se complicou: perder uma irmã não é fácil, e lidar com uma mãe que não aceita a morte da sua filha é ainda pior. Esta vê-se maltratada, alvo de rituais dolorosos, e o seu único desejo é fugir, “ser longe”.  Com isto, quebra algumas das promessas que fizera a Sigridur, iniciando uma cascata de sofrimento e atrocidades que me deixaram tensa durante toda a leitura.

Desculpa, mana, o Einar, por agora, é o mais longe que existe. Como se me levasse a ser outra. Desculpa. 

Tenho de ser honesta, levei algum tempo a processar esta história. Não é fácil, não é leve, e não tem como propósito embalar-nos em fantasias. É cortante, de várias formas, e Valter Hugo Mãe fez um ótimo trabalho a expor todas aquelas atrocidades de uma forma bruta, grotesca, sem tempo para romantizações. Assim, este foi um dos melhores livros que li este ano.

Como leitora, senti-me profundamente perturbada, e a minha única vontade era entrar na história, agarrar na Halla e protegê-la daquele meio, que não só causava o seu sofrimento como também a culpava do mesmo. Narrado na primeira pessoa, temos acesso a todos os pensamentos da personagem principal e à forma inocente e confusa como descreve vários dos acontecimentos, tornando toda a história ainda mais desoladora. Além disto, somos ainda confrontados com o posicionamento da sociedade relativamente ao papel das mulheres e à sujidade dos seus corpos. Estes ideais estão já presentes em Halla, que os repete e neles acredita, mostrando assim uma perpetuação do preconceito.

Um dos aspetos que mais me prendeu à leitura foi a escrita. Temos um texto repleto de recursos estilísticos que não só se adequam perfeitamente às situações narradas como também tornam a leitura harmoniosa e prazerosa. É como ler prosa poética.

Todavia, não posso deixar de mencionar que não apreciei o fim da história, talvez simplesmente devido à minha curiosidade e preocupação (quase maternal) com Halla.  

Concluindo, A Desumanização é um Romance difícil de engolir mas com uma beleza que enriquece a literatura portuguesa.

Nota: 5/5