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Entra e Senta

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Qua | 15.09.21

"A Metamorfose", de Kafka

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Estive meses sem tocar num livro. Não sei se em "ressaca literária" ou se devido ao estado da minha saúde mental. Por isso, decidi escolher aquele que, na minha estante, me despertava mais interesse e parecia menos "trabalhoso". Agarrei então neste pequeno livro, com uma premissa bastante interessante.

Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto.

É um facto que o livro tem um começo impactante. Apenas com uma frase, Kafka é capaz de prender a nossa atenção e nos levar a uma busca incessante por respostas na história. É igualmente bizarra a forma desinteressada e despreocupada como Gregor, a personagem principal, lida com a sua nova condição. Parece que seu foco é apenas o trabalho, e o sustento que se sente obrigado a garantir à família.

Infelizmente, o resto da história não me cativou. Segue-se uma narrativa muito fria, quase científica, dos acontecimentos. A escrita é de fácil compreensão, e talvez peque por isso mesmo: a sua simplicidade. Apesar de ser um livro tão curto, a minha leitura prolongou-se por vários dias, simplesmente por não me despertar interesse ou curiosidade. Lamentei muitas vezes o estado e a forma como Gregor foi tratado, mas senti pouca conexão com as personagens e terminei a história com mais perguntas que respostas.

Apesar de tudo, a mensagem por detrás de todo este caos é memorável: relembra-nos que só somos festejados quando temos alguma utilidade. Talvez Gregor não seja um inseto monstruoso, mas sim alguém que, por ser incapaz de trazer dinheiro e riqueza, é visto e tratado pela sua família como tal. 

Concluindo, "A Metamorfose" é um clássico de leitura obrigatória por nos revelar diferentes aspetos da natureza humana face às adversidades. 

Nota: 3/5

Seg | 13.09.21

Maligno (2021)

Depois de passar tanto tempo afastada do blog, decidi voltar da melhor forma: comentando filmes de terror! Quem me conhece sabe que sou apaixonada por este género, simplesmente pela sua capacidade de me prender ao ecrã e me fazer esquecer dos meus medos. Se todos são dignos de elogios? Não, e Maligno é um triste exemplo do que não fazer. 

Madison, uma enfermeira presa num relacionamento abusivo, vê a sua casa invadida por uma entidade cujo único propósito parece ser a vingança. Após essa fatídica noite, começa a ter visões de brutos assassinatos, e participa na busca deste assassino, mais familiar do que pensava. 

Nada no trailer ou na sinopse deste filme me preparara para o absurdo que encontrei no grande ecrã. O enredo tinha múltiplas falhas que me fizeram contorcer na cadeira: não só científicas como na própria história. Sinto que o argumentista se contrariou diversas vezes, e as reviravoltas eram tão previsíveis como fracas. 

Sendo um filme de terror, todas as aquelas inconsistências poderiam ser perdoadas se o filme cumprisse o seu propósito: causar medo. Sinto que passei mais tempo a rir do que assustada, o que nunca é um bom sinal neste género. 

Concluindo, Maligno é um bom filme de terror para quem gosta de ir ao cinema apenas pelas pipocas.