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Qui | 15.07.21

A vida é bela (1997)

Fonte: RTP (https://www.rtp.pt/programa/tv/p1307)

A Vida é Bela é um filme de 1997 que conta a história de Guido, um judeu que vive numa Itália fascista e eventualmente é levado para um campo de concentração com seu filho, Giosué. Esta longa-metragem venceu diversos prémios, nomeadamente o Grand Prix do Festival de Cannes, e não é muito difícil entender o porquê.

É impossível não nos apaixonarmos por Guido, que encara a vida com bom humor e alegria, e que demonstra ter um altruísmo sobre-humano. O filme vai-nos apresentando, desde o começo, pequenas pistas da realidade política, fáceis de perder pelas constantes brincadeiras e desvalorizações da personagem principal. O seu tio, Eliseo, várias vezes o avisava da gravidade da situação, e não tardou a que ambos, juntamente com Giosué, fossem capturados. Já no campo de concentração, Guido manteve a sua posição de forma a não assustar o seu filho, fazendo-o crer que tudo aquilo era um jogo que prepara para o seu aniversário. Guido foi capaz de manter essa mentira até a fim, e para mim foi um dos maiores atos de amor que vi num filme: fingir normalidade quando ele próprio estava destruído.

Considerei ainda muito interessante a inocência de Giosué. Rodeado por fome, destruição, morte, acreditou sempre nas palavras do seu pai, motivado pelo tanque que receberia se fosse o “vencedor”. Ele representa todas as crianças que foram levadas para estes campos de concentração, completamente alheias ao conflito.

O que me fez apaixonar por este filme foi, sem dúvida, as personagens. O uso da comédia tornou o filme mais leve, mas a história mais devastadora, pois foi usada para incitar em nós empatia. Tal como o Guido representa o bem, há outras personagens que fazem o oposto, como o médico nazi que se encontrava devastado por não conseguir resolver um quebra-cabeças, e que o procurou para o ajudar. Isto foi muito caracterizante, e revelou de uma forma crua a frivolidade e o egoísmo destas pessoas, tão alheias ao sofrimento que os rodeava: a esperança de Guido de escapar com Giosué era a ajuda do médico, e as suas expectativas foram destruídas (tal como as minhas) quando este apenas o procurou para uma futilidade.

Concluindo, A Vida é Bela fez-me rir, chorar, e, acima de tudo, fez-me torcer pela sobrevivência do amor. É importante não esquecer o passado, principalmente para não cometermos os mesmos erros no futuro. 

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