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Entra e Senta

Entra e Senta

Ter | 04.05.21

E a queima das fitas?

Nunca fui praxada. Passei o meu ano de caloira (ou os poucos meses que deste tive) a fugir a todas essas tradições, não só por sentir não ter estrutura física e mental para as mesmas, como também por considerar certos comportamentos algo inaceitáveis. Apesar disto, tenho de admitir que a minha faculdade não é das que leva a praxe a sério, logo questiono-me se foi a decisão correta deixar o medo escolher por mim.

Ainda assim, a falta da semana académica afetou-me, principalmente o ano passado, quando ainda encarávamos a pandemia como algo sem fim à vista. Mas não se enganem, não foi pelas festas perdidas, apesar de estar já a contar ver o Quim Barreiros! Queria tanto chegar a maio e ser recebida por uma serenata. Queria chorar (sempre em silêncio!) agarrada aos meus amigos, e pensar que todo o esforço valia a pena porque estávamos todos no mesmo barco. Queria passear pelas ruas do Porto, a berrar as músicas que tanto me custaram a aprender, e ser mais um dos rostos felizes no cortejo. Queria sorrir perante a alegria da minha mãe e dos meus avós quando me vissem trajada!

Mas a pandemia roubou-nos de tudo isto. Roubou-nos da nossa normalidade, de momentos que poderíamos ter vivido, forçando-nos a assistir e ver o mundo através de ecrãs, a ter aulas por videochamada, a respirar por uma máscara. Caramba, até pessoas queridas nos roubou!

Nesta semana, o dia do cortejo é um dia como qualquer outro. Talvez num universo alternativo, onde todos cooperam para o controle deste vírus, eu esteja feliz, a caminho da tribuna, com uma máscara preta a combinar.